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A Serra Gaúcha e o Turismo – como Transformar?

Quando circulamos pelo Brasil e dizemos que somos da Serra Gaúcha não é preciso dizer muito mais. A pessoa com um mínimo de conhecimento de regiões desenvolvidas do país sabe que na Serra Gaúcha muita coisa acontece. Talvez a primeira palavra que venha à mente seja Gramado – e logo dirão: “Já estive lá, conheço Gramado, fui no Natal Luz”. Sem dúvida eventos reconhecidos e de destaque pois movimentam, em dois meses, mais do que toda a população da Serra. Mas o que nos interessa é: Quanta Serra Gaúcha há além de Gramado?

A Biossplena, participante do Grupo G30 – Núcleo de Estudos do Desenvolvimento Empresarial e Econômico da Serra Gaúcha, começou a se perguntar como seria possível compreender isso a partir do conceito de Inteligência Urbana.

Inteligência Urbana nada mais é do que compreender a dinâmica urbana, sua diversidade e a quantidade de elementos que ocorrem no território simultaneamente. Fazendo analogia com a medicina talvez possamos comparar com um exame de imagens, como a ressonância magnética. Em outras palavras, o que a Biossplena quis contribuir nisso foi juntando informações e gerando conhecimento a partir delas. Sabe-se que, com o avanço tecnológico, as informações estão ao alcance de quase todos, mas gerar conhecimento a partir delas depende de técnicas apuradas e este é um desafio que enfrentamos diariamente.

Atualmente existem subdivisões, roteiros e territórios demarcados com diversas nomenclaturas. Entendemos que a subdivisão da Serra deve ser muito mais discutida e esta definição deveria gerar valor, especialmente no quesito Turismo, pois ter uma vocação clara e definida é fundamental para que os visitantes se identifiquem e para que os empreendedores saibam seu rumo.

 

Antes que gere polêmica, a divisão proposta é apenas um ponto de partida. Além disso, outros municípios certamente comporiam este quadro. Talvez até outras regiões com outra vocação. Quem já viu a figura abaixo certamente vai se perguntar: “Então Flores da Cunha não tem uva e vinho?” Claro que tem, assim como em Caxias do Sul e Ipê tem “Campos de Cima da Serra”. E aí já começamos a ver uma dificuldade no processo de transformação de uma região em um grande polo de turismo: a disputa. E este certamente é o ponto de partida para a pergunta: “Queremos ser uma região forte e sustentável em Turismo?”

Uns dirão: “Queremos, mas faremos isso no tempo que sobrar, ou depois que tivermos a indústria forte novamente.” Outros dirão: “Mas será que dá para sobreviver de Turismo?”

Dúvidas legítimas e normais. A mudança causa medo, é humano e entendemos perfeitamente sua origem. Precisamos, porém, olhar para o que já aconteceu em outros locais do mundo. Ninguém permanece estático e segue liderando: é preciso transformação, é preciso movimento.

Citemos Gramado novamente, que vem investindo em Turismo há mais de 40 anos e hoje tem 60% do seu orçamento composto por impostos municipais. Na maioria dos municípios isso não chega a 15%! Só isso nos faz acreditar que muito pode ser conquistado no processo de desenvolvimento sustentável. Certamente dá medo de olhar para isso. Mas temos uma boa notícia: já estamos na Serra Gaúcha, o mundo já sabe (está bem, o mundo é demais, o Brasil já sabe) que temos potencial, apenas precisamos nos organizar e realizar este potencial. Como?

Figura 1- Microrregiões e Municípios estudados

A resposta não é algo mágico e rápido, talvez nem fácil, dependendo do ponto de vista de quem vê. Mas o começo é simples: TURISMO É REDE (não só turismo, mas vamos nos manter no foco). Turismo depende de conexões, de pessoas, de lideranças, de envolvimento, de engajamento. Podemos olhar usando muitas ferramentas tecnológicas o que atualmente acontece na Serra Gaúcha, realmente é fantástico o que muitos empresários e políticos (mais empresários que políticos) fizeram por aqui. Imagina se toda esta potência pudesse ser multiplicada e se espalhasse por mais cidades, como Picada Café que está do ladinho de Gramado e Nova Petrópolis que talvez esteja pensando em criar um Distrito Industrialcomo saída para agregar renda aos seus moradores (talvez esse não seja o plano de Picada Café, mas é de muitos municípios).

No estudo que a Biossplena fez levou-se em consideração aspectos relativos a Conectividade, Atividades Lucrativas Existentes e Atrativos Turísticos. No Âmbito Atividades Lucrativas é analisado porque demonstra o quão dinâmico é o tecido urbano e quanto já deu certo no território de negócios que geram renda. Atrativos Turísticos são aqueles que o Ministério do Turismo considera, por isso apenas os localizamos.

 

Figura 2- Âmbitos de Análise

O estudo objetiva mostrar um Mapa de Complexidade Turística a partir da sobreposição das três informações anteriormente apresentadas. Nosso trabalho é multidisciplinar, usando de muita pesquisa científica e fazendo a intersecção dos conhecimentos: geoprocessamento, ciência da computação, engenharia, urbanismo e ciência de dados. E conhecimento em Turismo não? Neste momento, apenas como turistas que somos, mas certamente a evolução disso deve acontecer com a presença de sociólogos, técnicos em Turismo e experts que entendam do comportamento humano. A Biossplena quer evoluir nisso.

Essa figura aí, bem “engenheirística” é o resumo do nosso trabalho. Separar camadas de informação e depois interpretar a sobreposição. Claro que outras informações poderiam ser agregadas e outras análises poderiam ser feitas, mas certamente ficará para a sequência do trabalho. Aliás, falando em informação, contradizendo o que foi dito no começo sobre Turismo, muito temos a melhorar (anteriormente disse que todos temos a informação). Se nós, pesquisadores, tivemos dificuldade de encontrar informações de uma região que nós conhecemos (nossa sede é Flores da Cunha), imaginem o turista!O que queremos é levantar o debate e ativar o debate que servirá de base para criarmos juntos, onde ainda não existe, o que muitos chamam de “um dos maiores negócios do mundo” – o Turismo.

Figura 3- Metodologia do Estudo

Ficaram (mais) claros alguns aspectos importantes, talvez simples percepções:

– Necessidade de fortalecimento regional: já temos ótimo indutores como as cidades de Gramado e Bento Gonçalves (eles fizeram o tema de casa e lutam quase que sozinhos nisso) e podemos potencializar (em outras palavras, pegar carona). A Serra Gaúcha pode ser uma opção de férias e não apenas opção de final de semana (quando tem feriado);

– Melhora das informações ao turista: o turista não quer saber se está em Farroupilha ou Bento Gonçalves, ele quer saber quais os roteiros disponíveis e como pode aproveitar ao máximo sua passagem pela região. Portanto a informação tem que estar adaptada sem pensar nos limites políticos dos municípios.

– Clareza de vocações e regiões, diversificando ao máximo os potenciais e tornando claro isso ao empreendedor e ao consumidor. Pensar na complementariedade é fundamental.

Fica claro com o estudo que entender o que já existe e as oportunidades que aparecem a partir disso é uma estratégia para acelerar o desenvolvimento.

Certamente há muito por fazer para que vejamos uma região reconhecida mundialmente (nem o Brasil é forte no Turismo ainda, se comparado a outros países. Barcelona sozinha recebe mais turista que todo o Brasil, mas acreditamos que passos precisam ser dados, já que o mais difícil a natureza já fez. Não precisamos abandonar os outros potenciais econômicos que temos, mas precisamos incluir novos. Incluir novos não significa “se sobrar tempo olhamos”, significa priorizar. Investir tempo com qualidade e não aquele que sobrar. Pode parecer desnecessário tanta entonação, mas acreditamos que seja uma questão de sobrevivência, num futuro não muito distante.

Figura 4- Mapa da Complexidade Turística de Gramado e Canela e outros usos

 

 

 

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